Inovação

O fenômeno insurtech e a transformação digital das seguradoras

O ano de 2020 foi bastante emblemático para empresas do mundo todo. A chegada da pandemia modificou a realidade das empresas e as seguradoras vivenciaram uma realidade bastante controversa. 

Se por um lado a demanda por apólices empresariais, seguros de vida e de automóveis tiveram uma queda, o mesmo não aconteceu com a segurança digital das empresas. 

O “fenômeno insurtech” surgiu como resposta à demanda das empresas que clamaram por uma maior segurança cibernética. Entenda o que de fato é esse fenômeno e como ele está modificando o setor de seguros. 

Um retrospecto de 2020

Antes de mais nada, é importante salientar o que de fato é uma insurtech. O termo tem origem em seus principais fundamentos: insurance (seguro) e technology (tecnologia). Portanto, é a tecnologia para seguros. 

As startups que lideram o movimento desenvolvem tecnologias para o bem-estar digital de seus usuários, trazendo maior segurança no gerenciamento de dados, pagamentos, contratos e outros meios de relacionamento virtual. 

O ano de 2020 foi de investimentos recordes no setor. De acordo com o relatório trimestral da Willis Towers Watson PLC, foram aportados US $7,1 bilhões, o que totaliza 12% a mais em comparação ao ano de 2019. 

Ao todo, os investimentos em insurtechs cobriram 23 países, com o Brasil recebendo pela primeira vez um investimento nesse tipo de negócio. Foi o momento da largada para essa nova fase dos empreendimentos digitais no país. 

O chefe global de insurtech da Wilis T.W, pondera que:

Embora nossa indústria esteja enfrentando problemas extremos relacionados à Covid-19, também temos um nível sem precedentes de acesso à tecnologia e tecnólogos que podem ajudá-la a prevalecer durante esses tempos de instabilidade. Muitas insurtechs provavelmente se sentem vingadas de que o setor de seguros foi forçado a perceber o valor da tecnologia. A questão para as insurtechs agora é sobreviver a meses, possivelmente anos, de incerteza do mercado.

Com a chegada das insurtechs no cenário nacional, o que farão as seguradoras convencionais para lidar com a fuga de clientes para os meios alternativos de seguro no ano de 2021?

Os maiores desafios das seguradoras

Fato é, para que as seguradoras possam seguir competitivas dentro do mercado, elas terão que se movimentar, não há a menor dúvida. Porém, o que de fato será necessário para que uma seguradora se mantenha no jogo? 

Para se equiparar a uma insurtech será preciso agir como tal, isto é, absorver as maiores tendências do mercado e aplicá-las como soluções acessíveis aos consumidores em geral. 

Os maiores desafios que as seguradoras terão de enfrentar durante o ano de 2021 serão pautados em: 

Tecnologia 

O mais importante dos pontos é a tecnologia: sem ela, jamais seria possível atuar em nível de igualdade com insurtechs que nasceram dos adventos tecnológicos disruptivos. 

As tecnologias mais importantes desse meio segurador são aquelas que permitem que o cliente viva uma experiência valiosa, sem riscos ou dificuldades. As ferramentas que mais se destacam são: 

  • Inteligência artificial: Capaz de trazer a comunicação de forma ágil, administrar a contratação de serviços e validar coberturas, a IA tem sido um artifício primordial dentre as startups, não apenas entre as insurtechs, mas também entre as fintechs, por exemplo. 
  • Computação em nuvem: Acessibilidade resume o potencial da cloud, tecnologia que possibilita ao usuário estar em contato com seus serviços de qualquer lugar do mundo, bastando, para isso, acesso à internet. 

Rigor às leis 

A crescente entrada de players no mercado digital e o alto volume de dados pessoais exigiu que políticas fossem realizadas para que a legislação vigente oferecesse o suporte necessário para proteger as informações dos usuários

Como resposta, teve início no Brasil a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados). Ela é responsável por oferecer as diretrizes que devem ser seguidas pelas empresas para que possam atuar de forma segura e proteger as informações de seus clientes.

Portanto, toda seguradora que pretende migrar para os meios digitais deverá saber que a cibersegurança é primordial para que o trabalho aconteça de forma responsável. Isso refletirá diretamente na imagem da empresa perante o mercado. 

O futuro é digital

Pensando em termos de futuro, é natural que a tecnologia seja observada como a grande potencializadora de negócios de sucesso. Porém, a cultura das empresas precisará ser modificada. A forma com que os serviços são oferecidos é essencial. 

O modelo “as a service” (como serviço), que já vem ganhando destaque no mercado, deverá ser um grande guia para as seguradoras que desejam oferecer soluções personalizadas para a realidade de cada cliente.

O modelo prevê que a solução seja apresentada como um serviço completo e não apenas uma cobertura de riscos. Não é de se espantar que um seguro veicular, por exemplo, seja substituído pela locação veicular, acompanhando todas as vantagens de um seguro convencional. 

As empresas precisarão pensar em formas de oferecer a melhor experiência possível para o cliente e não apenas uma solução “empacotada” e padronizada.

Esse modelo também se faz presente dentro do conceito open insurance, que prevê a oferta de soluções digitais abertas, que podem ser incorporadas a outras soluções já existentes por meio de APIs personalizadas

Esse conceito, que também é visto no open banking, propõe que as soluções não precisam operar de forma individualizada, mas sim complementar aquilo que já é operado, trazendo mais recursos e segurança.

Por se tratar de uma área ainda bastante nova no mercado brasileiro, é comum que ainda careça de legislações que ditam os caminhos éticos de sua utilização. Afinal, conforme observado, o compartilhamento de dados é algo muito delicado. 

Ao depender da SUSEP (Superintendência de Seguros Privados), esse tema irá avançar rapidamente, já que em abril de 2021 foi aberta uma consulta pública de minutas para a regulamentação do open insurance

A proposta é debater os conceitos éticos do open insurance, pois se por um lado o cliente pode contar com uma maior variedade de soluções, por outro seus dados se tornam mais expostos. Até que ponto essa troca seria vantajosa? 

O fato é que todas as frentes estão se mobilizando para a construção de um futuro digital com recursos personalizados para a realidade de cada cliente e, acima de tudo, com total segurança e zelo aos dados pessoais. 

Enquanto as startups avançam com a oferta de novas possibilidades de serviço, as empresas já conceituadas correm para se adequar aos novos meios tecnológicos. Já o poder público fornece os parâmetros legais dessas relações.

Esse processo tem um caminho natural, o mesmo que foi seguido por todas as tecnologias que hoje já estão enraizadas dentro do conceito social. Nessa fase, destaca-se aquele que busca estar sempre atualizado.

Não deixe de acompanhar o blog da GR1D para ficar por dentro de novidades do mundo digital como, por exemplo, de que maneira a pandemia afetou o ecossistema de seguros.