Inovação

Como a medicina a distância pode revolucionar a área da saúde?

Apesar de já ser amplamente utilizada em outros países, a telemedicina ainda não era aceita no Brasil até o início da pandemia do novo coronavírus

É claro que determinados exames já eram feitos a distância, como o monitoramento de pressão arterial, por exemplo. Mas o teleatendimento, em que o profissional da saúde faz a consulta por meio de dispositivos móveis, só passou a ser aceito em meados de abril de 2020.

Alguns meses depois, a telemedicina já se mostra uma tendência muito positiva, principalmente ao ser utilizada para resolver dúvidas e diagnósticos simples e evitar que a população saia de casa e corra riscos de contaminação.

No entanto, seu uso pode ser bem mais amplo e abranger muitas outras verticais, e é exatamente sobre estas novas possibilidades que este post abordará. 

Continue a leitura!

Expectativas e usos da telemedicina 

Segundo o relatório Global Telemedicine Market Report and Forecast 2021-2026, da Expert Market Research, o mercado global de telemedicina crescerá aproximadamente 24% entre 2021-2026. Apenas em 2020, esta fatia do mercado atingiu um valor de quase US$ 55 bilhões e poderá atingir US$ 173 bilhões até 2026.

É claro que estes números foram potencializados pela crescente demanda por atendimento virtual e monitoramento remoto de pacientes em meio à pandemia da Covid-19. No entanto, tudo indica que este crescimento expressivo não será temporário, abrindo caminho para novos investimentos e novas formas de aplicação. 

Mas em que outras áreas a telemedicina está sendo usada? Confira as 5 principais agora!

Triagem de emergência

A telemedicina pode ajudar a melhorar drasticamente a velocidade e a eficiência dos prontos-socorros, evitando a superlotação das salas de espera e agilizando o atendimento de emergências. 

Algumas provedoras de telemedicina como a Amwell e a Galileo Health estão oferecendo serviços de atendimento urgente sob demanda. Dessa forma, os médicos avaliam mais rapidamente se o paciente precisa de atenção imediata, ao mesmo tempo que visitas desnecessárias são evitadas e a sobrecarga das equipes da saúde é suavizada. 

Oferta mais equilibrada de cuidados com a saúde 

A área de saúde é bastante cara por si só e, nos países como os Estados Unidos, que não possuem um sistema de saúde gratuito, o acesso aos cuidados médicos acaba sendo privilégio apenas das classes mais ricas.

Outra questão que acaba afetando o acesso a cuidados médicos por parte da população é a escassez de profissionais da saúde. Norte-americanos da zona rural, por exemplo, têm menos acesso a profissionais de saúde e, por isso, estão mais propensos a morrer de causas evitáveis. 

A telemedicina, nestes casos, surge como uma alternativa que pode melhorar a acessibilidade e os preços aos tratamentos médicos. O monitoramento remoto pode reduzir as faturas médicas para os pacientes, enquanto a terceirização do atendimento especializado a distância pode ajudar os pacientes a terem acesso a cuidados de alta qualidade de forma rápida e independente da região. 

No Brasil, apesar de termos acesso ao sistema de saúde, populações ribeirinhas ou que vivem em regiões afastadas acabam não tendo cuidados médicos também. E a telemedicina é uma excelente forma de incluí-las nesta questão.

Cuidados preventivos

Consultas de rotina e de cuidados primários são essenciais para a prevenção e detecção precoce de doenças, além de ajudar a evitar hospitalizações e tratamentos caros no futuro.

Nestes casos, a telemedicina surge como uma estratégia muito benéfica por duas razões: para os profissionais da saúde e empresas porque permite um melhor gerenciamento do fluxo de pacientes e reduz alguns custos fixos, como salas de espera e equipe administrativa.

Para os pacientes porque, de acordo com esta publicação da CB Insights, um atendimento on-line custa aproximadamente US$ 50,00, chegando a US$ 10,00 para quem tem algum tipo de cobertura de seguro. Um valor bem diferente do custo total de uma consulta presencial sem seguro, que custa em média US$ 180,00. 

Os valores mais baixos relacionados às consultas on-line podem incentivar pacientes a buscarem cuidados preventivos ou consultas de rotina, melhorando a saúde a longo prazo. 

Redução de riscos com infecção

A pandemia da Covid-19 mostrou o tamanho dos prejuízos que a superlotação de um hospital pode ocasionar. As salas de espera lotadas e as longas filas de triagem são uma grande fonte de transmissão do vírus. Sem contar que o grande número de doentes e contaminados acabou demandando uma quantidade de equipamentos de proteção individual, leitos de UTI, ventiladores e profissionais acima da capacidade suportada.

É claro que, neste caso, sobretudo nas regiões em colapso, a telemedicina não pode fazer milagres. Mas ela pode ser usada de diversas formas diferentes, e todas elas muito vantajosas, como nos diagnósticos sem contato, monitoramento a distância e até mesmo durante as triagens. 

Ou seja, as práticas implementadas em resposta à Covid-19 podem fornecer um modelo de como conter surtos no futuro.    

Melhor gestão de doenças crônicas

Segundo a mesma publicação da CB Insights, as doenças crônicas constituem 4 das 5 principais causas de morte nos Estados Unidos e geram quase 75% dos gastos totais com saúde. Cerca de metade da população norte-americana tem pelo menos uma condição crônica e este número só tende a piorar. O gerenciamento eficaz de doenças crônicas é, portanto, uma prioridade para salvar vidas e, ao mesmo tempo, evitar que os custos saiam do controle.

As doenças crônicas, quando diagnosticadas em seu início, têm um progresso lento e demandam cuidados a longo prazo, muitas vezes envolvendo apoio contínuo de diversos profissionais para controlar sintomas e melhorar sua saúde.

E novamente a telemedicina aparece, fornecendo um atendimento mais eficiente em equipe, o que pode levar a um gerenciamento mais eficaz de doenças crônicas. Sem contar que a medicina a distância também pode capacitar os pacientes a administrarem melhor as próprias doenças, garantindo acesso a terapias guiadas e recursos educacionais sempre que necessário.

Como ficou claro durante este post, a telemedicina, quando exercida sob legislações e cuidados adequados, pode ser uma ótima estratégia na redução de custos, melhor eficiência do ecossistema de saúde, além de garantir acesso mais igualitário aos cuidados médicos e mais qualidade de vida à população. Ou seja, uma verdadeira transformação do setor de saúde!

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