Inovação

BigTechs no ecossistema de seguros: ameaça ou solução?

Segundo o relatório World Insurance Report, elaborado em conjunto pelas empresas Capgemini e Efma em 2019, 70% dos baby boomers utilizavam smartphones em seu dia a dia. Um número bem alto que sobe ainda mais quando a análise foca nas gerações X e Y, totalizando 90% e 93%, respectivamente.

Sobre as transações financeiras realizadas on-line ou por aplicativo, os números são um pouco menores, mas ainda bastante representativos, 64% para a geração X ou mais velha e 62% para os Millennials.

O fato é que a adoção digital deixou de ser uma escolha dos mais jovens e já se tornou realidade no cotidiano das pessoas de todas as idades. Entre os principais benefícios do uso da internet estão acesso 24/7, conveniência, personalização e facilidade de operação de aplicativos e canais digitais. 

E é claro que esta mudança de consumo impactaria também o ecossistema de seguros. Nos últimos anos as BigTechs chegaram à indústria causando insegurança para as empresas que ainda mantém seus negócios de maneira tradicional. 

Continue a leitura deste post para entender melhor quem são as BigTechs e por que elas são vistas como potenciais ameaças às seguradoras tradicionais.

Quem são as BigTechs

Quando pensamos nas empresas de tecnologia mais famosas da atualidade, que nomes vêm à nossa cabeça? Certamente Amazon, Google, Apple e Facebook, entre outras, não é mesmo? E são exatamente essas empresas, tão presentes em nosso dia a dia há anos, as chamadas BigTechs.

Cada uma destas empresas domina um determinado mercado. A Amazon, por exemplo, lidera o mercado de e-commerce, computação em nuvem e a venda de assistentes virtuais baseados em inteligência artificial. Já a Apple divide o mercado de sistemas operacionais móveis com o Google, e ainda lidera a venda de dispositivos móveis. 

Contudo, as BigTechs precisam inovar e criar ininterruptamente para manter a supremacia em relação à concorrência. Além disso, o know-how tecnológico e a análise de comportamentos de consumo, transformá-los em negócios, faz com que elas queiram ingressar em mercados até então eram tradicionais. E é o que tem acontecido no ecossistema de seguros e financeiro em geral.

Por que as BigTechs são vistas como ameaças?

Não é uma novidade que o surgimento da internet e o aumento da digitalização da sociedade acaba impactando o comportamento de consumo assim como o modo com que os negócios sempre foram feitos. 

A mesma pesquisa citada acima mostra que, em 2016, apenas 17% dos entrevistados cogitavam comprar seguros de uma BigTech. Os dados de 2020 mostram que este número quase dobrou em 4 anos. Atualmente, cerca de 36% das pessoas consideram usar as gigantes da tecnologia na compra de seguros. 

Mas por que houve um salto tão grande em tão pouco tempo?

Não existe personalização sem análise de dados. E, neste tema, o ecossistema de seguros ainda está muito atrasado. O relatório diz que apenas 38% das seguradoras capturam dados de dispositivos IoT em tempo real. Enquanto isso as BigTechs fazem coletas constantes por meio de assistentes de voz, chatbots, wearables e outros dispositivos IoT interativos. 

Ainda sobre personalização, mais de 50% dos consumidores estão interessados ​​em planos customizados e seguros baseados no uso, mas apenas metade das seguradoras oferece esse tipo de opção.

Outro dado importante mostra que 75% dos entrevistados trocariam de seguradora se o atendimento ao cliente dela não estivesse presente em todos os canais digitais. Contudo, menos de 30% das seguradoras veem sites e aplicativos como impulsionadores de vendas eficientes.

Existe um longo caminho para que as seguradoras consigam modernizar seus negócios para oferecer as jornadas de consumo de acordo com as expectativas que o novo comportamento da sociedade exige. 

Ao mesmo tempo, as BigTechs têm toda a tecnologia e disrupção necessária para mudar o ecossistema de seguros de uma vez.

Será esta disputa um caso perdido? Vamos ver a seguir.

Como o ecossistema de seguros pode sobreviver às BigTechs

Como dissemos acima, as BigTechs chegam à indústria de seguros com a inovação e a expertise em tecnologia que o setor tanto precisa. E, para que as seguradoras consigam se manter no pódio, é necessário apostar em duas frentes: Open Insurance e hiperpersonalização.

Apenas a abertura do ecossistema de seguros por meio de APIs, também chamada de Open Insurance, é capaz de permitir que outros players de fora do mercado segurador possam compartilhar dados e serviços com as seguradoras. Esta é a melhor forma de criar novos modelos de negócios, com maior opção e personalização de produtos, precificação e pagamentos diferenciados. 

Enquanto isso, a hiperpersonalização poderá oferecer os produtos certos na hora certa e pelos canais certos.

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