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O papel da tecnologia para a saúde durante e no pós-pandemia

Você sabia que, todos os anos, especificamente no dia 07 de abril, é comemorado o Dia Mundial da Saúde? A definição deste dia, que foi estabelecida em 1950 pela Organização Mundial da Saúde, tem como objetivo conscientizar a população mundial acerca da promoção da saúde como forma de obter maior qualidade de vida.

Todos os anos, órgãos e instituições ao redor do mundo utilizam esta data para promover encontros e discussões que acabam gerando trocas de informação preciosas e, consequentemente, criando novas e importantes políticas.  

E, é claro, em 2021, mais de um ano após o início da pandemia do novo coronavírus, o assunto abordado não poderia ser diferente, não é mesmo? O tema deste ano é "Building a fairer, healthier world" ou, numa tradução livre, “Construindo um mundo mais justo e saudável”.

O fato é que laboratórios, hospitais e centros médicos estão dando tudo de si para tentar controlar a crise, seja por meio de informação, seja por meio de tecnologias para saúde e telemedicina. Ao mesmo tempo, healthtechs desenvolvem dia após dia inovações tecnológicas com enorme potencial de mudar a forma como vemos a medicina atualmente. No entanto, todas estas mudanças não chegam aos quatro cantos do mundo. A medicina, infelizmente, ainda não é um privilégio global.   

Neste post, vamos abordar um pouco mais sobre estes assuntos, mostrando como o ecossistema de saúde tem se adaptado a tantas mudanças em decorrência da pandemia, e o que esperar do futuro. Além disso, mostraremos a importância das APIs no meio de tudo isso. 

Continue a leitura!


Dia Mundial da Saúde, a escolha do tema 

Como apontado durante a introdução, a pandemia afetou o mundo inteiro de formas nunca imaginadas antes, porém os impactos foram ainda maiores para as populações pouco privilegiadas. De acordo com esta publicação do Global Water Partnership, ao explicar sobre a escolha do tema para o Dia Mundial da Saúde de 2021: 

“A COVID-19 destacou que algumas pessoas conseguem ter uma vida mais saudável e melhor acesso aos serviços de saúde do que outras - inteiramente devido às condições em que nascem, crescem, vivem, trabalham e envelhecem”.

A publicação ainda afirma que estes grupos populacionais convivem com muitas outras dificuldades, como pouca renda diária, difícil acesso à educação, condições insalubres de higiene, falta de água encanada e tratamento de esgotos e baixa qualidade alimentar. Todo este cenário acaba potencializando o surgimento de doenças e, em muitos casos, até morte precoce.  

O cenário pandêmico tornou ainda mais nítida a desigualdade social ao redor do mundo, já que nem todos têm condições de adquirir máscaras ou álcool gel para se proteger. Além disso, o lockdown é privilégio de poucos, porque a população autônoma acaba ficando sem renda quando impedida de trabalhar, o que agrava ainda mais a qualidade de vida. 

É claro que nem tudo é tão desanimador quanto parece. Muitos usos da tecnologia para a saúde estão sendo desenvolvidos e implementados com foco na população que vive dificuldades no acesso à medicina. Dessa forma, não apenas a sociedade se beneficia com os cuidados médicos, como também o ecossistema de saúde como um todo. 

Vamos discutir agora como o cenário da pandemia tem acelerado a transformação digital do setor de saúde.


Pandemia x tecnologia para a saúde

A transformação digital na área da saúde, acelerada pela pandemia do novo coronavírus, potencializou investimentos em inovação tecnológica, que beneficiam a sociedade e o mercado não apenas agora como também no futuro. 

Segundo esta publicação da Whow, apenas no terceiro trimestre de 2020 os investimentos em inovações tecnológicas desenvolvidas por healthtechs totalizaram US$ 21,8 bilhões. As regiões que mais receberam incentivo financeiro foram América do Norte e Ásia. As arrecadações da África, América do Sul e Austrália foram consideravelmente menores em comparação às outras regiões, porém somaram US$ 45 milhões em aportes.  

É claro que nem todas as iniciativas desenvolvidas pelas healthtechs são capazes de radicalizar a medicina atual no curto prazo. Contudo, algumas inovações tecnológicas mais simples, principalmente as baseadas em nuvem, como os prontuários eletrônicos, por exemplo, conseguem levar mais agilidade e eficiência para os atendimentos médicos. E isto tem sido crucial para lidar com a sobrecarga do setor de saúde durante a pandemia. 

Mas não só de hospitais se faz a área de saúde, não é mesmo? No Brasil, cerca de 18,6 milhões de pessoas sofrem com algum tipo de doença mental ou ansiedade. Quando somamos este fato às inseguranças e ao estresse gerados pela pandemia, este número aumenta ainda mais. 

As plataformas virtuais de saúde mental e de bem-estar são fundamentais para ajudar a população a encontrar o equilíbrio, ao mesmo tempo que evitam a contaminação quando oferecem o mesmo serviço, porém online. 

Estas foram algumas iniciativas que são positivas para ajudar a população e todo o ecossistema de saúde a passarem pela pandemia sem tantos prejuízos. Mas e quanto às inovações tecnológicas que realmente estão mudando a medicina como conhecemos hoje? Confira algumas delas agora:


Telemedicina

A telemedicina foi um dos assuntos mais discutidos desde março de 2020. A estratégia, que existe há mais de 30 anos em outros países, nunca foi bem aceita em território brasileiro. Contudo, quando olhada por um novo viés, mostrou-se uma alternativa importante de proteção da sociedade e dos profissionais da medicina e também como forma de evitar a sobrecarga do ecossistema de saúde.

Segundo esta pesquisa da Capterra, 55% das pessoas entrevistadas já fizeram alguma consulta por meio da telemedicina. Deste total, 43% depois do início da pandemia e apenas 12% antes. Entre as razões da adoção da telemedicina, 4 entre 10 entrevistados citaram o medo da exposição a uma possível contaminação, enquanto 16% utilizam a modalidade por conta da rapidez e 16% pela praticidade. 

Ao que tudo indica, a telemedicina continuará a ser uma realidade mesmo no pós-pandemia. No último trimestre de 2020, healthtechs com foco nesta área da saúde receberam cerca de US$ 2,8 bilhões, um percentual 73% maior do que no trimestre anterior. 

Com maior investimento, crescem também as inovações tecnológicas que, já nos dias de hoje, vão além da simples consulta on-line. Atualmente, no Brasil, a telemedicina já é utilizada de 3 formas:


  • Teleassistência: monitoramento a distância da saúde do paciente. Esta modalidade pode ser integrada a outros dispositivos móveis, como sensores vestíveis ou monitores automáticos de pressão arterial, por exemplo. O profissional, então, monitora os indicadores de saúde do paciente e avalia a necessidade de um atendimento presencial.  



  • Teleconsulta: esta é a modalidade mais comum da telemedicina. Por meio dela, o profissional da saúde orienta os pacientes em casos simples, como conjuntivite, alergias, ou até mesmo nos sintomas leves da COVID-19. Além disso, a teleconsulta também pode ser feita entre médicos, possibilitando discussões sobre diagnósticos, tratamentos e medicamentos e até mesmo uma segunda opinião de especialistas.



  • Laudos a distância: healthtechs têm desenvolvido plataformas nas quais resultados de exames podem ser enviados para análise de especialistas que estejam em outras regiões do país, ou até mesmo do mundo. Esta modalidade da telemedicina tem contribuído com diagnósticos e tratamentos mais rápidos e, por conta disso, melhor qualidade de vida do paciente.  

Outra grande vantagem da telemedicina é o alcance dos cuidados médicos para a população pouco privilegiada. Ainda hoje, milhares de pessoas vivem em regiões ermas e não têm acesso à medicina preventiva. O que acontece é que, quando chegam até um centro de saúde, quase sempre os casos já são graves e exigem tratamentos caros e longos que poderiam ter sido evitados se a doença fosse diagnosticada no início.

A telemedicina pode ser usada para aconselhar e monitorar a saúde de pessoas sem acesso à medicina e possibilitar melhor qualidade de vida, enquanto diminui também a eventual necessidade de tratamentos caros. 


2. Inteligência artificial 

Não é uma novidade que a inteligência artificial é uma das tecnologias com maior potencial para inovação tecnológica do mercado atual. Mesmo na medicina, ela já era amplamente usada, mas, assim como aconteceu em outras áreas, sofreu um crescimento expressivo durante a pandemia.

Para se ter uma ideia, apenas no terceiro trimestre de 2020, os investimentos em healthtechs especializadas em desenvolver soluções baseadas em IA alcançaram US$ 2,1 bilhões.  

Dentre as várias ciências baseadas em inteligência artificial, o uso de machine learning nas máquinas de radiologia e tomografia consegue reconhecer a presença da COVID-19 em radiografias e tomografias em questão de segundos. 

A mesma tecnologia já é usada também para detectar ‘achados’ em exames. Em algumas situações críticas, como um infarto agudo do miocárdio, por exemplo, esta análise precisa e quase imediata pode agilizar um tratamento adequado, aumentando a taxa de sobrevivência em 40 %.

Além disso, a inteligência artificial ainda é usada de inúmeras maneiras diferentes, como na construção de robôs desinfectantes, que não apenas desinfetam os hospitais como também protegem a equipe de limpeza de contaminação com possíveis vírus. Na área de pesquisa, esta tecnologia para a saúde é usada para encontrar palavras-chave em milhares de fontes médicas e cruzar dados com determinados casos para encontrar diagnósticos e tratamentos rápidos.  

Quanto aos chatbots, iniciativas como a robô Laura têm proporcionado inovações tecnológicas incríveis. Em 2016 uma startup curitibana desenvolveu uma plataforma que auxilia médicos com pacientes em internação, alertando a equipe para casos de sepse, que precisam de ação rápida para um possível tratamento.

Durante a pandemia, a mesma empresa desenvolveu uma nova tecnologia chamada PA Digital. A plataforma permite que contaminados pelo vírus comuniquem seus sintomas ao chatbot, e o robô, então, faz uma análise e aconselha sobre a necessidade de procurar ou não um centro médico. 


Como a tecnologia vem se adaptando

Inovações tecnológicas sempre existiram, e o próprio ecossistema de saúde convive a todo momento com o surgimento de novos equipamentos e processos. Contudo, como dissemos, a pandemia potencializou esta transformação digital no setor, acelerando a necessidade de centros médicos e profissionais se adequarem a isso e no curto prazo. 

Diferente do que aconteceu no passado, as dificuldades para quem trabalha na área da saúde atualmente são enormes. Os profissionais são obrigados a aprender a lidar com a tecnologia para a saúde de repente. A partir de agora, os estudantes não precisarão apenas desenvolver as habilidades da área, como também aprender a utilizar a tecnologia em seu dia a dia.

Para as empresas de tecnologia o momento também não foi fácil. Quem soube se reinventar e criar inovações tecnológicas que realmente pudessem beneficiar a sociedade durante a crise estão colhendo os frutos, com mais investimentos e consequente crescimento. 

Quanto aqueles que têm projetos ou vontade de dedicar seus serviços à saúde, porém faltam incentivos financeiros, muitas empresas já disponibilizam suas tecnologias de forma a facilitar e agilizar todo este processo. Os marketplaces de API são um exemplo perfeito disso.

No lugar de desenvolver do zero ferramentas de integração para executar inúmeros procedimentos, as APIs estão prontas para um uso eficiente e ágil, permitindo que as equipes deixem de lado a parte operacional e foquem apenas na inovação.  

O futuro é tecnológico, e é por meio do desenvolvimento de tecnologia para a saúde que os cuidados médicos deixarão de ser um privilégio para se tornar um direito de todos. Enquanto isso, startups podem aproveitar das vantagens das APIs para tirar as ideias do papel de uma vez por todas

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